A Proposta pretende dar
ao Ensino Médio uma identidade mais forte, já que este é visto, muitas vezes,
como uma simples extensão do Ensino Fundamental. A intenção é a elaboração de
um Ensino Médio que possibilite a formação da cidadania e a articulação com o mundo
do trabalho. O ensino politécnico deve auxiliar na integração entre cultura,
ciência, tecnologia e trabalho. A educação profissionalizante, por sua vez,
deve indicar um caminho no qual seja possível entender os princípios que regem
a vida social. De tal forma, o conteúdo social permite adquirir o conteúdo formal
e, depois, usá-lo para modificar as relações sociais e de produção. Pretende-se
atender as demandas do mercado de trabalho, mantendo, no entanto, o foco no
indivíduo por meio de formação integral.
Um dos problemas que a
Proposta aponta é a dissociação entre os cursos oferecidos e o momento vivido
pela sociedade gaúcha. Por exemplo, em 2010, a área de metalurgia básica teve
grande crescimento no estado. No entanto, não foi desenvolvido um curso para a
nova demanda: contabilidade é que teve o maior número de alunos inscritos.
Quanto ao objetivo de
desenvolver as áreas de cultura, ciência, tecnologia e trabalho, pretende criar
uma preparação geral para o trabalho. Não deseja-se um profissional que desenvolva
apenas habilidades específicas, mas sim um profissional que conheça os
princípios científicos do que faz: a origem de seu cargo, o porquê de ele
existir e para onde aquela profissão aponta estar rumando.
A proposta de fazer com
que o aluno conheça o mercado para o qual está se preparando e de fornecer a
ele conhecimentos para transformar sua realidade é interessante. As partes
complicadas são definir quais tipos de saberes o ajudarão a tornar-se uma
pessoa crítica e emancipada e planejar como realizar a integração das
diferentes áreas do conhecimento. É preciso muito preparo didático para tornar
possível que o aluno relacione tudo que vai estudar com o mundo que o rodeia.
Concordo que a parte mais difícil é ajudar alguém a tornar-se crítico na perspectiva emancipatória, defendida no documento. O que observo é que isso implica uma conquista e depende de investimento pessoal. Quanto mais uma pessoa cria pensamentos que estão informados por ideias fortes melhor é sua compreensão do mundo.
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